DCI: Escritório dá prioridade a contencioso e arbitragem

Leite, Tosto e Barros Advogados espera crescer mais de 15% ao ano apostando em sua tradição de “briga” e indo na direção oposta à de outros escritórios

SÃO PAULO – Contencioso. É com essa prática e vocação para “briga” que o Leite, Tosto e Barros Advogados, ao contrário de muitos escritórios de advocacia que têm apostado forte no consultivo para empresas, deve manter sua tradição e crescer mais de 15% neste ano. “Seja na esfera administrativa ou judicial, o contencioso não vai sumir, muito pelo contrário: queremos continuar crescendo nessa área”, diz o sócio Ricardo Tosto.

O foco é também na arbitragem, uma outra forma de contencioso, hoje área que toca oito grandes casos, inclusive fora do País, e tem forte potencial na banca. “A arbitragem hoje está mais presente nas grandes empresas, e a tendência é de que ela se democratize”, analisa Tosto, destacando que o escritório, em atuação desde 1991 e um dos dez maiores de São Paulo, também trabalha forte para tentar fazer acordos. “Nossa intenção não é ficar brigando por 20 anos”, afirma. A atuação é forte no contencioso bancário, no setor de infraestrutura, especialmente energia, indústria e prestação de serviços. Aproveitar a brecha no mercado para atuar no contencioso é algo que está na origem do escritório, que começou atuando contra bancos para diversas empresas em crise e que pediam concordata. A perspectiva, hoje, é em rompimento de contratos, daí a confiança no contencioso – nas “boas brigas”. “Muitas parcerias para comprar empresas não vão dar certo. Além disso, o Brasil investirá muito em infraestrutura por conta da Copa e das Olimpíadas e devem ocorrer diversas brigas com grandes fornecedores. As relações comerciais vão aumentar, e, com elas, as disputas contratuais”, afirma.

As apostas têm dado certo: o escritório cresce em faturamento cerca de 15%, nível que deve se manter nos próximos anos. Quase a totalidade de clientes é de pessoas jurídicas e mais de 70% da receita do escritório é de contencioso. “Pretendemos equilibrar um pouco isso.” Mais de 140 advogados e 25 sócios cuidam de cerca de 150 clientes ativos, 50 dos quais compõem quase 80% do faturamento do escritório.

Em 2011, a banca quer manter o crescimento e o faturamento. “Não queremos ser um escritório com 500 advogados. O sonho é ter 200 e manter atendimento especializado, criativo, ágil com qualidade de recebimentos, de lucro, para poder remunerar bem o pessoal”, acrescenta.

A banca tem duas filiais, no Rio de Janeiro e em Brasília. “Temos muita esperança de que o escritório do Rio de Janeiro cresça muito, especialmente por conta das Olimpíadas”. O escritório tem hoje oito vagas abertas, incluindo as de estagiários, que são formados na banca.

A maior demanda do escritório, full service empresarial, é no setor bancário e na recuperação de créditos para empresas, movimento que começou com a crise financeira de 2008 e ainda permanece. Além disso, as grandes empresas estão sendo cada vez mais acionadas para pagar indenizações. “Dano moral virou um business, e advogamos muito na defesa de empresas de grande e de médio porte”, diz. Outra área rentável e que deve se expandir, além da de arbitragem, é a ambiental.

A base para esse crescimento é uma gestão empresarial, perfil dos próprios sócios. “Sempre buscamos as características e a linguagem de uma empresa: boa gestão econômica, de recursos humanos, de atendimento ao cliente”, afirma o advogado, acrescentando que os grandes escritórios têm todos administração profissional.

“Não há banca grande malpreparada no Brasil, esse mercado não é mais para peixe pequeno”, afirma Tosto, com a experiência de quem comanda o escritório responsável por duas recuperações judiciais bem-sucedidas no País: da Eucatex e do frigorífico Quatro Marcos, empresas que conseguiram se reerguer. Um dos advogados da massa falida do Banco Santos, Tosto afirma que o escritório foi o responsável por recuperar boa parte do crédito que está sendo hoje distribuído para os credores.

A relação próxima com o departamento jurídico das empresas foi responsável pela indicação de diversos clientes. Nessa área, Ricardo Tosto vê uma nova orientação: os departamentos, segundo ele, votaram a crescer, tanto para gerir o contato com as bancas terceirizadas como na montagem de equipes próprias. “Mas isso é sazonal. Já vi o número aumentar e diminuir. Não tem padrão certo”, ressalva.

O Leite, Tosto e Barros Advogados, além de contatos no exterior, tem uma rede de escritórios parceiros espalhados por todo o País. “Aprendemos que ficar abrindo filiais no Brasil inteiro não funciona.” O desafio hoje é fazer uma sucessão: formar novos sócios para que o escritório continue, mesmo sem seus fundadores.

Andréia Henriques

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